Ainda acredita que o setor de SMS é o único responsável pelos acidentes? Entenda por que essa visão é ultrapassada e como a Teoria dos Fatores Humanos explica as falhas sistêmicas.
Quem atua na indústria, seja no offshore ou em terra, certamente já ouviu — ou até pensou — frases como estas após um evento indesejado:
- “Se aconteceu um acidente, a culpa é da equipe de segurança.”
- “Onde estava o técnico de segurança que não viu isso?”
- “O SMS foi ineficaz em conscientizar o trabalhador.”
Esses comentários de corredor revelam um sintoma grave na organização. Mas será mesmo que o Departamento de Segurança é o único responsável por manter as pessoas vivas? Ou estamos diante de uma visão ultrapassada que esconde falhas sistêmicas muito mais profundas?
O Mito do “Bode Expiatório”
Acidentes de trabalho são eventos multicausais. Raramente acontecem por um único fator e quase nunca podem ser atribuídos à incompetência de uma única área.
Atribuir a culpa exclusivamente à equipe de SMS é ignorar a complexidade das operações e, principalmente, os Fatores Humanos envolvidos. É uma saída fácil para não enfrentar os problemas reais de liderança, planejamento e cultura organizacional.
3 Cenários Reais (Onde a culpa não é do SMS)
Vamos refletir com base em situações comuns no setor de Óleo e Gás que provam que o buraco é mais embaixo:
- Treinamento vs. Prática: O treinamento teórico foi realizado (check do SMS), mas a operação não permite tempo hábil para a prática ou reciclagem. A falha é do instrutor ou do cronograma de produção?
- Pressão de Liderança: O técnico alertou o risco, mas a liderança pressionou pelo cumprimento do prazo a qualquer custo. Quando o acidente acontece, a segurança “não foi ouvida”, mas leva a culpa.
- Processos Falhos: Há falhas no desenho da engenharia, mas a operação se acostumou a dar um “jeitinho” para fazer funcionar. A segurança validou o procedimento escrito, mas o real é diferente.
O Papel da Liderança (Discurso vs. Prática)
A responsabilidade pela segurança é coletiva, mas a liderança tem o papel central (como reforça a norma ISO 45001:2018).
Se o discurso da empresa na placa da entrada é “Zero Acidentes”, mas o comportamento da alta gestão prioriza “Produtividade a Qualquer Custo”, o sistema colapsa. O trabalhador percebe a incoerência e o risco aumenta.
O Que Diz a Ciência da Segurança?
Maturidade em segurança começa quando deixamos de buscar culpados (quem?) e passamos a buscar causas (por quê?). Grandes teóricos nos ensinam isso:
- James Reason (Human Error): Mostra que o erro na ponta é apenas a consequência de falhas latentes na organização (o modelo do Queijo Suíço).
- Sidney Dekker (Drift into Failure): Explica que as falhas não surgem de repente; elas são um “deslize” gradual de sistemas complexos que normalizam pequenos desvios.
Conclusão
Uma cultura de segurança robusta nasce quando líderes, RH, segurança, operação e manutenção sentam à mesa para co-construir soluções, com base em dados, escuta ativa e respeito.
Se você quer entender como sair dessa “caça às bruxas” e implementar uma Liderança que realmente previne acidentes, convido você a ler meu livro “O Poder da Liderança Inclusiva”. Nele, conecto a teoria dos fatores humanos com a prática diária.
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