Liderança e Meritocracia: Quando Chamam o Seu Esforço de “Sorte” (O Mito do Peixe).

Caminhada

Acabou de ser promovido e ouviu que foi “peixada”? Entenda a psicologia por trás dessas críticas e veja como valorizar seus “pés descalços” e sua jornada de resiliência na liderança.

 

Finalmente, você alcançou aquela cadeira de liderança tão desejada. Seja na coordenação, supervisão ou gerência, o fato é: você chegou lá. No entanto, como infelizmente costuma acontecer no mundo corporativo, é exatamente nesse momento de vitória que a “rádio corredor” muda de sintonia.

Surgem os boatos, as piadas veladas e os julgamentos rápidos e cruéis: “Quem foi o peixe dele?” “Com certeza foi indicação.” “Esse aí teve sorte, já estava tudo certo.”

Se você já passou por isso, saiba que não está sozinho. Mas por que isso acontece?

A Psicologia da Crítica no Ambiente de Trabalho

É psicologicamente mais confortável para alguns colegas inventarem um “padrinho” mágico para o seu sucesso do que encararem os próprios fatos. É muito mais simples justificar a própria inércia apontando para a sua suposta “sorte” do que admitir que você, simplesmente, trabalhou mais duro.

Eles olham para a sua posição atual, o cume da montanha, mas ignoram completamente a escalada íngreme que você enfrentou para chegar até ali.

Os “Pés Descalços” que Ninguém Viu

A verdadeira liderança é construída nos bastidores, longe dos holofotes e dos aplausos. Existe uma lista imensa de sacrifícios invisíveis que compõem o que eu chamo de “Caminhada dos Pés Descalços”:

  1. A Responsabilidade Solitária: Ninguém viu você refazendo um relatório inteiro sozinho às dez da noite porque a equipe falhou. A responsabilidade final era sua, e você assumiu sem culpar terceiros.
  2. A Resiliência no “Não”: Ninguém viu as portas fechadas, os projetos recusados ou as vezes em que você teve que engolir o orgulho a seco para recomeçar do zero após uma crítica dura.
  3. O Padrão de Excelência: Ninguém testemunhou suas horas de sono sacrificadas, não por obrigação contratual, mas por um padrão interno de qualidade que só você cobra de si mesmo.
  4. A Ética Silenciosa: Poucos viram a sua coragem de manter a ética quando o atalho era óbvio e tentador. Ou a firmeza ao tomar uma decisão impopular, sabendo que aquilo custaria sua simpatia momentânea, mas garantiria a integridade do negócio.

O Verdadeiro Nome da sua “Sorte”

Quando perguntarem quem foi o seu “peixe”, a resposta interna deve ser clara. O seu “peixe” foi a sua resiliência inabalável. A sua “indicação” foi a sua competência, provada repetidamente sob pressão. O seu “padrinho” foi a sua força de vontade de transformar cada obstáculo em um degrau.

Isso não é vitimismo. Isso é mérito.

O que muitos chamam de “sorte” ou “peixada” é apenas o rótulo que colocam no esforço que não tiveram a coragem de realizar. O seu lugar não foi dado de presente; foi conquistado palmo a palmo.

Portanto, se você está ouvindo ruídos nos corredores, entenda isso como um sinal de que você está no caminho certo. Continue em frente, com seus “pés descalços” no chão e a cabeça erguida.

Gostou dessa reflexão? Compartilhe nos comentários: qual foi a maior “conquista invisível” da sua carreira que definiu quem você é hoje?

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